TCC analisa jornalismo popular do Diarinho

TCC analisa jornalismo popular do Diarinho

 

O Diarinho é um jornal sediado em Itajaí, que circula desde 1979. O periódico conquistou seu público, ao longo dos anos, com seu estilo popular, mas também provocou polêmicas pelo uso do sensacionalismo. Em sua monografia, o estudante Leonardo Koch estudou as características do jornalismo popular presentes nesse jornal e as mudanças ocorridas após a morte do fundador, Dalmo Vieira.

Segundo Leonardo, a ideia de abordar o tema surgiu da constatação de que o jornalismo popular é pouco estudado na graduação e pela academia em geral. Por outro lado, esses veículos mantém uma audiência cativa enquanto outros periódicos convencionais enfrentam um momento de crise. “Busquei compreender como são utilizados os critérios de noticiabilidade nas reportagens populares do veículo e como esse estilo se manifesta na linguagem adotada pelo jornalismo popular”, explicou Leonardo.

Em seu estudo, o estudante observou que, após a morte de Vieira, quando o periódico passou a ser comandado pela neta, formada em jornalismo, o Diarinho passou por algumas transformações, empregando mão de obra profissional, com produção de reportagens especiais, diminuição de matérias sobre segurança e ampliação de conteúdos sobre política, entre outras. Entretanto, o estilo popular se manteve, sobretudo na linguagem adotada.

Entre as características observadas por Leonardo estão o uso de gírias e expressões regionais, redução de palavras, como “delega” (para delegacia) ou “prefa” (para prefeitura). “Além disso, o jornal usa mecanismos de participação do leitor, como enquetes, e foco no jornalismo hiperlocal“, afirmou.

O professor Sandro Galarça, que reside em Itajaí, foi um dos avaliadores. Ele elogiou a escolha do tema e o cuidado com a conceituação de jornalismo popular, já que o termo enseja tanto o jornalismo feito “pelo” povo – em viés comunitário – quanto “para o povo”. “Mas você deveria ter discutido criticamente as questões éticas que permeiam o Diarinho e o jornalismo popular”, apontou o avaliador. Para Galarça, o trabalho também precisa de melhor sistematização dos resultados.

A professora Kérley Winques destacou que não apenas o jornalismo popular impresso, mas também os programas televisivos sensacionalistas, fomentam uma sensação ampliada de insegurança que, por sua vez, alimentam em parte da população o sentimento de que “bandido bom é bandido morto” e de que o país precisa de um “salvador da pátria”. Ela também sugeriu que Loenardo coloque o link do guia de ética do Diarinho no trabalho e verifique o número de assinantes do jornal. O trabalho teve orientação da professora Marília Crispi de Moraes. Leonardo foi aprovado com nota 8,5.

 

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