Se essa praça falasse: Praça Lauro Muller

Se essa praça falasse: Praça Lauro Muller

O local foi uns dos primeiros espaços designado para ser uma praça na cidade ainda no século XIX

A praça Lauro Muller foi criada com o objetivo de embelezar a cidade e proporcionar aos joinvilenses um local de convivência para  levar a família e encontrar os amigos. Mais de um século após a sua inauguração, a praça Lauro Muller, ou “praça da biblioteca”, como é mais conhecida, mantém, atualmente, poucos dos objetivos desejados pelos seus idealizadores do final do século XIX. A Biblioteca Municipal Rolf Colin e continua sendo um espaço do cotidiano de quem passa pelo centro da cidade. A praça também recebe diariamente uma feira de artesanato e antiguidades.

Praça Lauro Muller no inicio do século XX – Foto: Arquivo Histórico de Joinville
Obelisco em homenagem aos imigrantes de Joinville – Foto: Anderson Marques

Desde o início, o local foi reservado ao uso público. Nos primórdios do que seria hoje a cidade de Joinville, na então colônia Dona Francisca, o lote em que está localizada a biblioteca foi destinado a Sociedade Colonizadora de Hamburgo, por isso não foi comercializado. O projeto original era erguer ali o Mercado Público. Porém, o local ficava distante do porto e o mercado foi erguido às margens do Rio Cachoeira. Foi só em 1892 passou a ser usado pelo Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville como área de treinamento, já que ficava próxima a primeira sede da corporação, na rua Comandante Eugênio Lepper.  

Foi em somente em 1896 foi criada a Sociedade de Embelezamento de Joinville que, além do objetivo de criar e cuidar da praça Lauro Muller, tinha a responsabilidade de atuar em outras praças do município. Em 1898, os voluntários dessa sociedade começaram as obras, como o ajardinamento e o cercamento. Ali seria o embrião do espaço. 

A aposentada Eva Pereira, de 68 anos, lembra que quando chegou na cidade, nos anos 70, na praça havia mais famílias utilizando do espaço. Ela acredita que o esquecimento da Lauro Muller por parte da população se deve aos altos e baixos que o ambiente teve durante as últimas décadas. “Era mais bonita quando cheguei aqui, mas com o decorrer do tempo começou a ficar abandonada, sem manutenção do corte das árvores e, claramente, o crescimento da criminalidade nos dias atuais na região pode ter afastado o povo daqui”, conta.  

Vista da praça com o busto da Dona Francisca do artista plástico Fritz Alt – Foto: redes sociais

A praça passou por várias mudanças durante a sua história. Em 1926, o espaço, em alusão aos 75 anos de fundação do município, ganhou o busto da Princesa Dona Francisca feita pelo artista plástico alemão, radicado brasileiro, Fritz Alt, que atualmente está na Rua das Palmeiras desde da década 70. do . No mesmo ano foi instalado um obelisco em pedra. Nessa mesma época ainda era possível ver o antigo coreto, que estava lá desde do início.  Já em 1946, o IBGE instalou no centro da praça o marco geodésico, ou “ marco zero”, da cidade.  Em 2021, o local  foi revitalizado pela Unisociesc e pela Orcali. Foram realizadas nova pintura, ajardinamento, limpeza e revitalização do parque infantil. Um painel fotográfico instagramável foi instalado com o nome da cidade. 

O coreto era usado para abrigar bandas que tocava nos finais de semana ou para declamação de poesias em público – Foto: Arquivo histórico de Joinville
Marco zero da cidade de Joinvile fica dentro da Biblioteca Municipal Rolf Colin – Foto: redes sociais

A praça da biblioteca 

A primeira sede da biblioteca municipal, funcionava na Rua do Príncipe. Mas foi apenas no ano do centenário de Joinville, em 1951, que a instituição foi transferida para praça Lauro Muller. Ela já havia sido criada cinco anos antes, mas só começou a funcionar normalmente na gestão do prefeito da época, Rolf Colin (1951 – 1955).  Em 1955, a fachada do prédio ganhou um mosaico de Fritz Alt, que remete à evolução do homem através dos livros, da infância, passando pela juventude e chegando à fase adulta e terceira idade.   

A biblioteca na década de 50 – Foto: Arquivo Histórico de Joinville

No ano de inauguração, contava com um acervo de apenas 3000 títulos. Atualmente esse número passa de 62000 contando com livros, jornais, obras raras, inclusive no idioma alemão e autores nacionais, estrangeiros e locais.

Em 2010, necessitou passar por reforma e revitalização e passou a funcionar no prédio do antigo Piazza Itália, no bairro Anita Garibaldi, onde permaneceu até o ano de 2013, quando retornou à sede atual, agora revitalizada. 

 Afinal, quem foi Lauro Muller? 

Lauro Severiano Müller, nasceu na atual cidade de Itajaí, em 1863.  Filho de imigrantes alemães que se instalaram inicialmente na cidade da região da grande Florianópolis, de São Pedro de Alcântara mas por motivos da troca de profissão de seu pai Peter Müller, de colono agricultor, tornou-se comerciante na cidade itajaiense. Foi um militar, político, engenheiro e diplomata. Durante a sua vida foi presidente e vice diversas várias vezes da província de Santa Catarina, cargo equivalente a de governador do estado. Já no início do século XX, foi ministro de Relações Exteriores e dos Transportes nos governos dos primeiros presidentes do Brasil. 

Além disso, ainda no ano de 1888, é iniciado maçom na Grande Loja do Oriente do Brasil, onde as ideias republicanas eram fortes. Fato esse que junto com outros militares que estavam desconte com o regime monárquico de Dom Pedro II, foi um grande apoiador da queda do império do brasilerio em 15 de novembro de 1889. Lauro Müller, morreu na então capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, em 1926.  Está sepultado no cemitério de São João Batista, no bairro de Botafogo. 

Lauro Serveriano Müller foi por diversas vezes governador de Santa Catarina, tanto no período monárquico quanto republicano
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