Redes sociais se tornam palco da pré-campanha municipal

Redes sociais se tornam palco da pré-campanha municipal

Por Nadine Quandt

Reportagem desenvolvida na disciplina de Jornalismo Impresso III, sob orientação do professor João Francisco Kamradt

Sem  viabilidade para a participação de eventos e encontros, os pré-candidatos a prefeito de Joinville estão recorrendo às redes sociais para transmitir suas ideias e propostas. Apesar do esforço em produção de conteúdo, o engajamento  ainda é baixo e não gera grande retorno orgânico. Os concorrentes buscam formas de cativar seus possíveis eleitores por meio de lives, vídeos e reuniões feitas por videochamadas. 

O Instagram ganha destaque entre os postulantes, é usado por 18 dos 20 pré-candidatos. A ferramenta proporciona rápida interação com o eleitorado, seja por stories ou transmissões ao vivo. “Eu tenho usado bastante as redes para criar um canal de comunicação. As redes sociais nos aproximam quando a pandemia nos exige um distanciamento social”, conta Ivandro de Souza, pré-candidato pelo Podemos. Recentemente ele estabeleceu um cronograma de lives em busca do contato direto com o eleitorado. 

Fernando Krelling, pré-candidato pelo MDB, afirma que ainda está iniciando o planejamento de postagens. “Antes eu cuidava das redes sociais após o trabalho, quando sobrava tempo. Agora estou começando um trabalho com uma equipe técnica, justamente para aproveitar esse caminho em direção à população”, afirma o deputado estadual. 

Dados coletados em 18/8/2020

 

Dezesseis pré-candidatos apresentam regularidade nas postagens no Facebook e no Instagram. Os mais conhecidos na política de Joinville demonstram melhores números nas redes. Rodrigo Coelho (PSB) e Darci de Matos (PSD), têm os melhores números no Facebook, Coelho com mais de 40 mil curtidas e Matos com mais de 50 mil. No Instagram, Kennedy Nunes (PSD) é o político joinvilense com maior número de seguidores, com mais de 30 mil. 

A rede social menos utilizada pelos prefeituráveis é o Twitter. Guilherme Luiz, pré-candidato pelo PSOL, é o mais presente neste ambiente, com média de três postagens por dia. “O Twitter tem uma vantagem porque agiliza as informações e chega até as pessoas que querem saber de forma prática o que está acontecendo”, analisa o pré-candidato do PSOL.

Pontos negativos do mundo digital

Apesar do potencial de alcance, as redes sociais também apresentam pontos negativos, como ressalta Guilherme: “As redes sociais têm se mostrado, nos últimos anos, uma força surpreendente para pautar debates públicos. Infelizmente, nos últimos 4 ou 5 anos, de forma majoritariamente negativa por conta dessa corrente de notícias falsas”. O pré-candidato do MDB também cita pontos negativos: “Temos muita criação de notícias falsas, maldade e campanhas de difamação aos candidatos, as redes sociais só são positivas se forem propositivas, para expor ideias e não ofender os outros candidatos”, afirma Krelling. 

Segundo Sérgio Trein, especialista em marketing, não apenas se torna importante investir em estratégias digitais diferenciadas, como também é fundamental estar preparado para a checagem das notícias e como responder às possíveis mensagens de desinformação.

Nem todos os candidatos estão aproveitando o caminho de comunicação com o eleitorado. Um exemplo é Anelísio Machado (Avante), que não possui Twitter, página do Instagram nem Facebook, apenas mantém um perfil pessoal e não propõe nenhuma programação diferenciada. “Eu não tenho feito nada de absurdo, eu posto os materiais e compartilha quem quer. Não tenho uma equipe especial para isso”, conta. 

Perfis continuam com baixo engajamento 

Apesar dos esforços, os pré-candidatos a prefeito de Joinville apresentam engajamento baixo em todas as redes sociais. Engajamento é uma porcentagem calculada a partir dos níveis de participação dos seguidores. O cálculo é feito através do índice de curtidas, compartilhamentos e comentários. Ou seja, quanto maior o engajamento, maior será a influência do perfil na rede social. 

Para Ivandro de Souza, o baixo engajamento está relacionado à pandemia. “As eleições ainda não são o tema nas conversas das famílias, todos estão muito preocupados com novo Coronavírus, é natural que não busquem informações sobre as eleições”, avalia o pré-candidato do Podemos. Ele acredita que com o início oficial do período de campanha eleitoral, em 27 de setembro, o interesse da população aumente.

Apesar do baixo interesse dos eleitores, dois postulantes se destacam positivamente nas redes sociais. Tânia Eberhardt (Cidadania) e Adriano Bornschein Silva (Partido Novo) apresentam as melhores taxas de engajamento, cerca de 20% maiores que os outros pré-candidatos. Ambos conseguiram conquistar uma audiência participativa nos últimos meses. 

Tânia conta que seu principal objetivo com as redes  era mostrar que sua forma de política é contra o ódio. “É muito difícil falar de política em Joinville, por isso quis me posicionar contra os ataques entre candidatos. Fico feliz que isso esteja trazendo bons resultados”, afirma. Para a pré-candidata, o único obstáculo das redes sociais é que não são suficientes para alcançar toda a população, principalmente  quem não tem acesso à internet. Procurado pela reportagem, Adriano não se pronunciou até o fechamento desta matéria.

Novo, PSDB e Avante já definiram as candidaturas de Adriano Silva, Rodrigo Fachini e Anelísio Machado, respectivamente.

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