Conspirações e quadrinhos

Conspirações e quadrinhos

Por Eduardo Gums

Entre os roteiristas de quadrinhos que mais se destacaram na década passada, está Tom King. Ele é um ex-agente da CIA que se tornou autor de quadrinhos e que se tornou famoso no meio por suas minisséries acerca de personagens obscuros ou pouco explorados da DC Comics.  Em sua carreira de quase dez anos como autor de quadrinhos, King abordou temas relevantes em suas obras como depressão. Um de seus mais recentes projetos foi Rorschach, uma minissérie baseada na aclamada HQ de Alan Moore, Watchmen.

Personagem é usado como ponto de partida para sequência 

Ambientada em 2020, 35 anos após os eventos da obra de Moore, a minissérie  acompanha um detetive não nomeado  investigando uma tentativa de assassinato a um candidato a presidência dos EUA. Quando as impressões digitais de Walter Kovacs, identidade civil de Rorschach aparecem no corpo do assassino vestido como o vigilante, o investigador se vê envolvido em uma vasta conspiração envolvendo quadrinhos e justiceiros mascarados.

A obra traz o mundo de Watchmen 35 anos depois dos eventos da HQ original.

Rorschach é um exercício de imaginação. Ele busca especular como o mundo de Watchmen pareceria após os eventos catastróficos imaginados por seu autor original entre 1986 e 1987.

A história de Rorschach é uma história sobre teorias da conspiração e quadrinhos. As motivações do novo vigilante e de sua parceira The Kid são pautadas em aspectos que são muito comuns no mundo de hoje. 

As homenagens aos quadrinhos de super-herói continuam nesta sequência da obra original. O roteiro de King é hábil em explorar isso quando coloca personagens inspirados em grandes autores do meio de super-herói.

 A identidade do novo justiceiro  é Will Myerson, um recluso autor de quadrinhos que foi  inspirado em Steve  Ditko, o desenhista  que co-criou o Homem Aranha  em 1962. Acredito que o autor foi hábil em trazer um ponto da HQ original: a de que, no mundo de Watchmen, os quadrinhos famosos que se tornaram populares e que neste futuro ganham adaptações são os de piratas. Isso é causado  pelo boom de justiceiros mascarados durante os anos 1930 e 1940 atuando principalmente em Nova York. Isso dentro do universo da obra original

Criador do personagem da Marvel é usado como inspiração para novo trabalho de King.

Ditko não é o único autor homenageado e o leitor mais familiarizado com o gênero encontrará outros nomes ao longo do trabalho.

O roteiro de Rorschach também é eficiente em colocar as motivações de Myerson e de sua parceira sendo ligadas aos eventos finais do trabalho de Moore. Ligar o  ataque da Lula em Nova York com o meio das teorias conspiratórias em que Laura Cummings, identidade civil  da Kid está inserida é um exercício imaginativo interessante. Um exercício que encontra fundamentos em diversas teorias conspiratórias derivadas de atentados ocorridos nos Estados Unidos e ao redor do mundo.

A arte do artista Jorge Fornés traz uma arte magnífica que consegue narrar a história de forma muito eficiente. Seu traço é limpo, dinâmico e que consegue ser a junção perfeita entre texto e imagem.  O leitor notará como ele casa a narração em tempo presente com flashbacks.

Rorschach de Tom King e Jorge Fornés consegue criar um fascinante exercício imaginativo.  Se distanciando de Alan Moore tanto na narrativa quanto na arte, o roteirista consegue um resultado satisfatório ao final das doze edições que compõem este trabalho. O leitor iniciante com certeza ficará com vontade de conhecer outros trabalhos deste ex-agente da CIA. Eu fiquei.

Ficha técnica:

Rorschach (EUA, setembro de 2020-outubro de 2021)

Autor: Tom King

Desenhos: Jorge Fornés

Publicação original: DC Comics ( pelo selo Black Label)

Publicação no Brasil: Panini Comics

Formato: 2 volumes (6 edições em cada volume)

Número de páginas: 160 páginas cada

Preço: 34,90 (volume um), 39,90 (Volume 2)

Disponível em:  https://loja.panini.com.br/panini/solucoes/Busca.aspx?fcp=35303

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