A Viagem de Chihiro: Veja por que essa é a única animação asiática a vencer um Oscar

A Viagem de Chihiro: Veja por que essa é a única animação asiática a vencer um Oscar

Por Henrique Duarte

Alerta de spoiler:

O longa-metragem de Hayao Miyazaki, ‘’A viagem de Chihiro’’ (2001), é a única animação asiática a vencer um Oscar de melhor animação em 2003. O filme é cheio de metáforas e simbolismo, trazendo críticas à sociedade capitalista japonesa moderna. A história mostra a relação entre o conflito de gerações e as quebras de tradições da cultura tradicional japonesa.

A trama envolve a personagem Chihiro, uma criança de 10 anos, que está de mudança para outra cidade. No caminho, sua família atravessa um portal que a leva a um mundo paralelo, misterioso e cheio de criaturas místicas. Enquanto a menina passeia pelo lugar, seus pais são misteriosamente transformados em porcos. Isso faz com que Chihiro precise resgatar seus pais de um mundo fantasma, em que humanos não são bem vindos.

Assim como: Meu Amigo Totoro (1988), O Serviço de Entregas da Kiki (1989), Princesa Mononoke (1997), entre outros, os estúdios Ghibli mais uma vez, expõem o protagonismo feminino em seus filmes. As personagens principais, não necessitam de um herói para alcançar seus objetivos. Invertendo os papéis de muitas produções ocidentais da época. O filme mostra momentos onde Chihiro precisa desenvolver sua maturidade para encarar os desafios propostos pela trama. 

Miyazaki critica o capitalismo através de simbologias ligadas ao trabalho, dinheiro e soberba, representada por alguns personagens no enredo. Ambição, consumo e ganância são pontos explícitos em diversas cenas do filme — um dos maiores exemplos em que o autor faz essa crítica é quando os pais de Chihiro são transformados em porcos. A cena mostra os adultos comendo um banquete sem permissão do dono do restaurante, que não estava no local, alegando ter cartão de crédito para resolver qualquer problema futuro. A figura do ”porco” torna-se recorrente para representar debates de economia e política. A figura também já foi usada por George Orwell no romance ”A revolução dos bichos” (1945).

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